Poesias

Ending transcribes a philatelic " poetry " of Aluízio Azevedo, in response to a request of stamps that he had done to the friend Dr. Rodrigo Otávio (Brazil), great philatelist of the beginning of the Century:

Poesia "Filatélica"

  Pedistes selos? Pois selos
Tereis os que apetecerdes,
Encarnados, amarelos,
Azuis, roxos e verdes;

  Tê-lo-eis grandes, pequenos,
A farta postos à escolha
Uns melhores, outros menos,
Uns velhos, outros em folha.

  Mandar prefiro os antigos,
De velhos, cansados povos
Pois os selos, como amigos,
Mais valem velhos que novos.

  Tê-los-eis dos mais legítimos
desde o tempo dos Henriques,
Em réis, centavos, cêntimos,
Em shillings e peniques.

  Tê-los-eis com vários bustos
Tê-los-eis de vários anos,
De imperadores vetustos
E chefes republicanos.

  Tê-los-eis de vários gostos,
Firmados em línguas várias,
Mostrando diversos rostos
De personagens lendárias

  Rostos de moços e velhos
Que humildes povos incensam,
E de importantes fedelhos
que já reinam e ainda não pensam ;

  De rainhas primitivas
Que a nós só contam da História
E de outras que estão bem vivas
Como a grande Rainha Vitória;

  De Colombo e sua roda,
De Santo Antônio e do Papa.
Pois, depois de selo é moda
Já ninguém do selo escapa.

  Apesar receio, amigo,
Que à força de mandar selos
Fique eu doido e vós comigo
à força de recebê-los.


Also read:

(in Menino Antigo (Boitempo II): Rio de Janeiro, José Olympio/INL, 1973)

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