" Much of the revelation was to come through the stamp collection Pierce had left, his substitute often for her - thousands of little colored windows into deep vistas of space and time ... No suspicion at all that it might have something to tell her ... what after all could the mute stamps have told her ..."

(Thomas Pynchon, The Crying of Lot 49, New York: J.B. Lippencott Company, 1965, p. 31-2.)





Tomamos como premissa o ensinamento de Anatole France, segundo o qual:

"A arte de ensinar não é mais senão a arte de despertar a curiosidade natural dos jovens espíritos com o objetivo de seguidamente a satisfazer"

Desta feita, trazer os selos postais para a sala de aula nos fornece a oportunidade de uma experiência única de aprendizagem, desenvolvendo a criatividade dos alunos, além de desafiá-los constantemente no processo acadêmico.

Sem sombra de dúvidas a Educação encontra na filatelia um instrumento de trabalho, uma ajuda, um estímulo, um despertar da criatividade e da imaginação.

Esta idéia porém não é nova, já na virada do século XIX, nos EUA, um filatelista de nome Burk incentivou os professores a incorporar a coleta de selos em atividades de sala de aula.

Atualmente, vivemos num estágio de nossa civilização em que o elemento visual tem um apelo fantástico. Afinal os ambientes de trabalho nos computadores são baseados nas imagens (Windows, Mac OS, KDE, Gnome, ...). Por outro lado, o flash card é visto como um elemento importante na aprendizagem de idiomas baseado na associação de palavras com imagens e assim por diante.

Como nos afirma Patrice Vézina, há um feliz encontro entre a Educação e a Filatelia:

"As agências da ONU como a UNESCO, a UNICEF e a Administração Postal das Nações Unidas (APNU) sempre reconheceram o valor dos selos como vectores educativos. Desde há décadas selos comemorativos sensibilizam a população para as diversas realidades sociais: a paz, o ambiente, o patrimônio mundial, a sida, o Ano da Alfabetização".

Segue dizendo Vézina, ao se referir a emissão de selos postais que surgiram mundo afora para comemorar o Dia Mundial dos Professores, que:

"A promoção desta iniciativa (...) fez-nos tomar consciência do interesse do mundo da educação pelo contributo pedagógico da filatelia. Já existe material didáctico em grande quantidade para ensinar - através dos selos - as artes, as ciências, a geografia, a história, as civilizações e várias outras matérias académicas."

Por fim arremata:

"Reciprocamente, constatamos que os meios filatélicos atribuem muita importância à formação de jovens coleccionadores, fazendo com este passatempo, um dos mais populares, abra novos horizontes para o mundo das descobertas. O criador do sistema postal moderno (em 1840) - Rowland Hill, um professor da Grã-Bretanha - certamente não suspeitaria que a sua invenção tivesse impactos educativos tão importantes".

A filatelia constitui-se numa excelente maneira para se bem ocupar nossos momentos livres, vez que é uma forma de entretenimento desafiador e fascinante. Poderíamos afirmar, sem medo de errar, que uma de suas maiores qualidades é exigir um permanente trabalho de pesquisa e de estudo, por parte do colecionador.

Assim, além de notável hobby, a filatelia contribui sobremaneira para formação de uma sólida cultura geral. O cônego Lucien Braun, que era também educador e filatelista, numa certa ocasião, ao ver uma coleção de selos consagrada exclusivamente à religião, pressentiu o interesse educativo de uma filatelia tendo como base um assunto. Por sua vez Troyer escreveu:

“O ensino renova-se, o acento é colocado mais depressa na iniciativa pessoal e os centros de interesse, mesmo num trabalho de equipe. Quando se constata o atrativo da filatelia sobre a juventude, depressa nos damos conta das possibilidades que a filatelia tem no ensino moderno. Não é provavelmente ainda senão uma visão, mas a época não está de tal maneira distante, onde ao lado dos métodos experimentados, a filatelia será igualmente considerada como um adjuvante para ensinar a história, a geografia, a fauna e a flora assim como outras matérias.”   (A Filatelia Temática, p. 12)

Estamos dizendo, praticar filatelia não é somente procurar imagens bonitas contidas nos selos e guardá-las cuidadosamente, de forma organizada, num classificador. Vai muito além!

Este  hobby – ciência – arte possibilita que o colecionador:

- aprenda e cultive a organização, como hábito;

- entenda a importância da limpeza, vez que os selos devem ser guardados com cuidado;

- idealize mentalmente e execute de forma sistemática critérios classificatórios que deverão ser executados, na maioria das vezes, com precisão cirúrgica;

- adquira conhecimentos acerca da geografia mundial, da história materializada através de seus fatos marcantes, das artes e  das ciências, da botânica, da zoologia, dentre outras áreas;

- aguce a observação, pois o colecionador deve ser capaz de verificar atentamente todos os detalhes de um selo ou peça filatélica, tais como: a frescura da cor, o tipo de denteação, o tipo de papel utilizado, o texto, a imagem, erros de impressão, ...

- estude profundamente e intensamente o assunto (tema) sobre o qual pretenda elaborar, ao longo dos anos, sua coleção;

- seja altamente criativo, com uma abordagem significativamente pessoal no seu trabalho;

- faça novos amigos, em todos os cantos do mundo, face seu caráter internacionalizante, além de  tratar-se de uma atividade fortemente socializante;

- adquira um bom motivo para realizar viagens no afã de participar de exposições e encontros filatélicos, por vezes realizados em outros países ou estados e

- espante a depressão, os efeitos do stress  e de muitas outras doenças, face às endorfinas liberadas nos meandros do colecionismo, além de manter o intelecto ocupado e alerta.

O conceituado filatelista belga Frans de Troyer narra dois exemplos que coroam a importância cultural da filatelia:

“Um dos momentos altos da minha juventude escolar situa-se no dia em que meu instrutor pronunciou a palavra 'Magyar' . Nenhum dos outros alunos pode dar a mínima explicação, salvo o pequeno rapaz que colecionava selos numa caixa de fósforos. Ele soube responder porque sobre os selos húngaros figurava a inscrição 'Magyar Kir Posta'.

Citarei ainda o filatelista já grisalho que continuava a desenhar todas as antigas cartas geográficas, porque seu pai não lhe dava selos dum dado país se não depois dele copiar o mapa do dito país num álbum.” (p. 10)


Flag Counter


Copyright © - 2011 - 2016 - Carlos Dalmiro Silva Soares. Todos os direitos reservados. All rights reserved.

South America - Brazil - Santa Catarina